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  • Maria Moura

Entrevista Matheus Mota


Quem é Matheus Mota? Manauara, gay, negro de 25 anos, Matheus atua no cenário audiovisual da cidade como diretor, roteirista, produtor, editor e entra em sua reta final no curso de jornalismo da UFAM. Seu interesse pelo audiovisual surgiu a partir da sua paixão recorrente de ir ao cinema, assistir televisão e consumir videoclipes desde criança. “Desde muito pequeno, fui bombardeado de produções audiovisuais e sempre me deixou intrigado como eram produzidas essas obras. Eu assistia uma série de making-offs e buscava entender todo o processo de se fazer um filme”.


Com inspirações em diversos segmentos, Matheus afirma que adora consumir arte e, no audiovisual, sua paixão transcende os filmes. No cinema, suas inspirações vão de Stanley Kubrick, diretor de clássicos como 2001: Um Odisséia no Espaço, Laranja Mecânica e O Iluminado, a Wong Kar-Wai (Um Beijo Roubado – 2007), Michael Haneke (Amor – 2012) e Barry Jenkins (Moonlight: Sob a Luz do Luar – 2017).


“Aqui no Brasil, eu sou apaixonado pelo cinema do Esmir Filho, principalmente pela versatilidade que ele perpassa as diversas linguagens do audiovisual, indo do curta-metragem até o videoclipe. Tem a Anna Muylaert e o Gabriel Mascaro, são cineastas apaixonantes”.


Tendo dois curta-metragem em seu currículo, Folhas Brancas e Sociedade Fluida, Matheus contou mais sobre o processo de criação dos trabalhos. Folhas Brancas foi seu primeiro passo na direção, uma experiência que contou com o suporte de uma produtora, o que Matheus caracterizou como um “inicio extremamente atípico. Sociedade Fluida, seu segundo trabalho, já se desenvolveu como um projeto completamente independente.

“ (Sociedade) deu um enorme trabalho devido a ousadia conceitual e visual do projeto. Foi um processo ainda mais desgastante emocionalmente, financeiramente e fisicamente. A diferença dos dois é a minha maturidade para entender o que eu quero na câmera, o primeiro é mais discreto, já o segundo é mais chamativo. E, para mim, a maior diferença dos dois é o que eu espero do filme na sua finalização. São duas pessoas extremamente diferentes” – finaliza.


Além de trabalhar com cinema, Matheus também dirige videoclipes. Concorrendo durantes os meses de outubro e novembro na Mostra Audiovisual Artepop com o clipe Meu Lugar, de Gabi Farias, Matheus também foi responsável pela produção do álbum visual Húmus da banda República Popular. Questionado sobre qual produto é mais difícil de se trabalhar, Matheus afirma que tanto clipes quanto o cinema possuem desafios diferentes, principalmente em questões financeiras.


“No caso de um videoclipe basta ter um bom conceito visual, a produção necessariamente nem precisa ser extremamente onerosa, mas precisa ter boas ideias por trás... O álbum visual “Húmus” foi produzido assim: era eu, o meu diretor de fotografia/operador de câmera Henrique Saunier e o motorista da produção, o Sérgio Leônidas. Com essa equipe rodamos Manaus e arredores da zona metropolitana da cidade por três meses para conseguir material suficiente para quase 2 horas de produto final”.

O cenário cultural geralmente é baseado em editais públicos e dificilmente, é possível conseguir produzir se não utilizar este recurso. O cenário independente é, por vezes, estressante e exige que os profissionais sejam rápidos durante a produção de um filme. Para Matheus, mesmo com grandes nomes em atividade, o maior problema de todo artista nortista ainda é o preconceito regional com seu trabalho. Isso não só acaba tornando o posicionamento em escala nacional difícil, como deixa a região ainda muito isolada do resto do país. “Mas existe o lado positivo, existe um olhar que é muito particular dos artistas daqui e esse é o nosso diferencial, nós temos lugares que só nós entendemos como explorar visualmente” – destaca.


Quando questionado se já sofreu preconceito, Matheus afirma que já sofreu, e ainda sofre, por diversos motivos já que, por “ser gay, negro e afeminado em ambientes dominados por brancos ainda causa incômodo, as pessoas esperam de você uma coisa e você precisa se provar o tempo todo”. Por assumir cargos de poder em diversas produções, seja na coordenação ou direção de pessoas brancas, a saúde mental e o foco são peças chaves para ele se manter bem. “Fico muito feliz de saber que Manaus está criando uma cena de artistas audiovisuais pretos sólida que conseguem contar suas histórias, existem profissionais geniais como a Keila Serruya e a Dheik Praia”.

A BKN perguntou para Matheus se ele via diferença no tratamento de artistas negros no cenário artístico em Manaus. Para ele, é fácil notar que os nomes de destaque do audiovisual do Estado são geralmente pessoas brancas e de classe média alta.


“Apesar de conhecer, não tenho proximidade dos profissionais pretos amazonenses do audiovisual, pois muitos são da periferia. Não cresci na periferia manauara, sou da zona sul, principalmente por ter sido criado em família de classe média e mestiça, meu pai é branco e minha mãe é preta com traços indígenas. E mesmo assim, não sou poupado de situações de preconceito, existe um desdém natural quando veem um negro dirigindo um filme. No entanto, eu tento ao máximo me cercar de pessoas que valorizam o meu trabalho e a mim como profissional”.

Sobre seus planos para o futuro, Matheus destacou a recepção que seu trabalho teve durante o ano com a criação de novas conexões e possibilidades artísticas. “Um dos meus planos é encerrar a minha graduação de jornalismo na UFAM para poder ingressar em um mestrado na área de comunicação. Pretendo também produzir uma exposição com o material artístico criado para o “Sociedade Fluida” ano que vem. Estou buscando isso tudo, mas também estou com os olhos em retornar para o cinema, já estou planejando produzir novos curtas em 2021, mas vou fazer tudo com mais calma e cautela”.


Siga e apoie Matheus Mota

Instagram: https://www.instagram.com/matheusmota_mm/

Vote na Mostra Audiovisual Artepop: https://www.mostraartepop.com.br/votacao

Gabi Farias - Meu Lugar: https://youtu.be/9dsg3LXBOLE

República Popular - Húmus | Álbum Visual: https://youtu.be/JthpeNRlCZA


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