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  • Maria Moura

Entrevista DaCota MC

Atualizado: há 2 dias


Quem é DaCota MC? Compositor e MC independente natural de Manaus, DaCota é residente na Favela Prosa e é exemplo e inspiração para diversos jovens na comunidade que mora. Quando questionado sobre existir alguma diferença entre DaCota e Ricardo o MC brinca ao afirmar que perguntar isso “é a mesma coisa que perguntar se tem diferença entre ir a pé e ir andando". Enquanto Ricardo é um jovem preto visionário, mercadólogo e formado em marketing, DaCota pode ser considerado uma grande incógnita.


Sendo referência no Hip Hop regional e uma das promessas do Rap Nacional, DaCota também é fundador do antigo grupo Expresso Submundo formado por ele mesmo, Magro MC, DJ Danni e Treme Beats. O rapper ficou conhecido por sua voz marcante e ideologia marginal entre 2015 e 2016, mas só em 2017 que o Brasil pôde conhecer mais sobre quem é DaCota MC. DaCota é considerado um dos artistas mais promissores na cena Trap e seu estilo passa pelo R&B, Drill e Funk.


Suas inspirações variam e vão desde RZO a SNJ, Facção Central, Racionais. “Pow, escuto muito Renan, curto muito Don L, Rapadura, Don L é foda, é o favorito dos favoritos. Sei lá, também escuto muito Chico da Silva, Chico Buarque, Seu Jorge... escuto muito Revelação, gosto pra caralho de samba. Raça Negra nem se fala. Da gringa, curto muito Michael Jackson também escuto muito Jackson Five, começo da carreira do pretão, Beyoncé, Rihanna. Escuto muito Kendrick Lamar, Migos também, Travis Scott, de rolê com a gatinha sempre rola. ”

DaCota também citou MCs locais que fazem parte da 333, Droik, DJ Fino, além de bandas como a Jhonny Jack Mesclado. Sua lista também contou com nomes como Karen Francis, DJ Rafa Militão, MC Catarina, Lil Baby e não deixou a si mesmo de fora da lista como grande fonte de inspiração.


Quando questionado sobre as melhores e piores partes de se viver como artista em Manaus, DaCota afirma que a única parte boa é a inspiração infinita. “Tanto quanto tá próximo a natureza quanto aqui, a gente vive coisas que nem um lugar no resto do país vive, tá ligado?! Sei lá eu, na maioria das vezes que eu escrevo minhas letras, eu tô com raiva certo, raiva da injustiça da cena local também”. A parte negativa fica a cargo da cena local e do público, assim como já afirmaram outros entrevistados da BKN. DaCota fala sobre como o público do rap na cidade ainda é muito pequeno. Enquanto artistas de outros ritmos musicais encontram espaço cultural, o rap conta com poucos eventos durante o mês, por exemplo.


“É um movimento meio escasso, sendo que, se há evento grande o contratante não paga, se é evento da prefeitura, a prefeitura não paga nem metade do cachê enrola o ano todo. Mano, fazer arte em si boa, é ruim pra caralho saca. Essa é uma pergunta chata pra porra mano, vou passar a noite falando tá ligado. Mano é muito ruim ser artista aqui em Manaus tá ligado, as vezes o cara não entende pô que tu precisa do teu grupo completo”.


Para ele, contratantes ainda precisam entender que um show não é somente o artista, mas é preciso toda uma logística como sonoplastia, iluminação, bailarinos para fazer um show. DaCota afirma que continua no rap principalmente por amor porque viver de rap em Manaus ainda não é possível. Isso está ligado também diretamente ao movimento Black que, segundo ele precisa aparecer e crescer mais. O rapper diz que pessoas pretas precisam ir atrás de pessoas pretas para fazer o movimento Black acontecer.

“É o que a gente que tá ai na luta almeja e quer. Tamo na luta desde sempre. A gente é marginalizado e tamos aqui pra mudar. Porra, há muita gente preta aqui em Manaus pô, e gente preta fazendo arte mano, fazendo música, tá ligado, a mídia só não divulga”.


DaCota faz parte do Coletivo 333 e conta que o coletivo não é só um grupo de rap, mas sim um estilo de vida. Para ele ser Coletivo 333 é uma forma de pensar, agir, querer ajudar MCs e estar perto do público. É o que os torna único. “O Coletivo 333 é uma das coisas que melhor que aconteceu assim, tá ligado, na minha vida. Um bagulho que eu não sei falar como é fazer parte eu só sei ser”.


Utilizando isso como gancho, a BKN também perguntou como se desenvolve o movimento trap em Manaus, o que DaCota acredita que não existe o movimento em si na cidade e sim MCs que faz trap. Com um público por vezes escasso e que não abraça os MCs, o trap acaba sendo mais difundido para um público que não aceita quem é da Zona Leste ou Sul e até mesmo os MCs da favela. “O público favela aceita, mas a maioria ali, os pagantes, tão nem aí pá nóis, tá ligado. Eu acho que existem sim os caras que fazem trap, os caras que quebram no trap, mas não existe ali alguém para contratar os trappers. E isso é o que breca muito a cena manauara”.


DaCota também comentou sobre a diferença no tratamento de artistas negros no cenário cultural e, para ele, existe sim uma diferença. Por vezes, artistas acabam perdendo trabalho por pessoas que só querem aparecer. DaCota também levantou o questionamento sobre MC privilegiados e como contratantes acabam por escolher estes por darem “menos gasto”.



“Você acha que, por mais que eu seja, sei lá mano o mais pedido, você acha que o contratante vai querer me pagar pra ir ou pagar um MC playboy? Porra, em todo lugar pô eu não tenho voz, eu não sou ouvido saca. Só toco em batalha de MC pô, não tenho uma valorização nas casas de show pô. Tem brancos que fazem rap, que fazem forró, que fazem sertanejo, que tocam de segunda a sexta ou de segunda a segunda ou de quinta a domingo, mas tocam, fazem show, tem como ganhar grana pô. E os artistas pretos pô?”


Ao ser perguntado se já havia sofrido racismo, DaCota citou inúmeros relatos que são vividos diariamente por pretos no Brasil. Indo para o trabalho ou atravessando a rua e ver ou sentir que pessoas sentiram algum tipo de receio ou medo com sua presença. O rapper também citou uma vez que tentou entrar na faculdade e só pelo seu estilo o segurança não o deixou entrar e ele teve que chamar a direção para provar que estudava na faculdade.


“O último caso que até meio que repercutiu foi ano passado. Estava fardado na rua do meu trabalho indo deixar uma encomenda no porto de Manaus e tava de dread né e os policiais pensavam que ali naquela caixa tinha algo ilegal. Na hora que eu falei que não tinha, que era meu trabalho e que fui tentar falar o meu ponto de vista um amigo, que tentou me defender já estava sendo algemado e enforcado. Os caras começaram a bater boca, bateram na gente, isso tudo também porque a gente portava um cigarro de tabaco. Eles já tinham batido na gente e agredido antes de ver que estavam errados. Essa cena foi feiona. Ser algemado, trabalhando, foi meio frustrante. Porra mano, falar sobre o racismo é tristão e eu fico logo badzado pô. Dá não pô, porque é um bagulho assim nada ver saca”.

Sobre seus planos para o futuro DaCota brinca sobre a meta ser sempre de dominar o mundo, mas antes ele quer dominar a área em que mora, sua rua, seu bairro, sua zona e depois sua cidade. Outros planos são de investir em um Centro Cultural na sua comunidade onde crianças possam ter aulas de balé, beat, b-boy, fundamentos do hip hop, onde tenham acesso a internet de qualidade, livros e documentários. Além do Centro Cultural, ele também visa abrir um estúdio para ajudar artistas pretos e manauaras a lançarem seu primeiro som e a guiar sua carreira.


“Até o final do ano aí tá saindo o EP do DaCota e ano que vem sai o meu álbum com featuring nacionais, que eu não posso revelar agora, mas vai ser um álbum que realmente vai ser o que é o DaCota. Esse EP que vai sair no final do ano vai ser só eu cuspindo umas leseiras de trap. Mas o que é o DaCota sai no meu álbum ano que vem certo? Foi onde eu escrevi músicas que chorei, foi onde eu depositei toda minha fé e é isso”.


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Ouça agora Não Fique Tímida (Haru, DaCota, Koren) [Prod. RVL$]: https://youtu.be/AiGHVsOn6Vs

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