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  • Paula Oliveira

Entrevista com Rapper Vinicius Abilio


Rapper/MC, compositor e beatmeaker manauara de 21 anos, estas são as palavras que Vinícius Abílio usa para de descrever, preferidas de um sucinto e certeiro "Artista!"

Com 13 anos fiz minha primeira música, com um beat que eu baixei da Internet e desde lá não parei mais. Comecei fazer freestyle na escola, ensino médio, e foi quando as pessoas além dos meus amigos descobriram que eu fazia Rap. Ali foi meu inicio mesmo.

Sobre suas inspirações, o rapper afirma:

[…] falando de música, Tim Maia é a primeira pessoa que vem na minha cabeça. Sou muito fã do Tim, da entrega dele, da espontaneidade e do que ele representa. Racionais foi minha escola. O primeiro Rap que eu ouvi na vida foi Vida Loka, os muleques da minha rua me deram o CDzin, pirei naquele DVD 1000 trutas, 1000 tretas. Foi aí que falei “É isso, é isso que eu quero”. Na minha infância ouvi muito Pregador Luo. Por ter nascido em família evangélica não podia ouvir música secular (famosa música do mundo) e por muito tempo Apc 16 foi o único grupo de Rap que eu ouvia. Gabriel, O Pensador foi o cara que me fez querer fazer uns versos mais críticos, me incentivou a pesquisar mais, me aproximou dos livros. O Rashid também é outro cara que eu me inspiro muito; Emicida e o que ele fez no Rap no BR. E eu também sou fã do Jay-Z

Sobre seu álbum, Piano vermelho, Vinícius conta:

Piano Vermelho foi meu diário de bordo nesse período. Literalmente, o desabafo da alma. Queria trazer essa estética no meu primeiro disco pra desmitificar essa ideia de que o rapper é foda o tempo todo, não sangra, não sente. Geral esperava outra coisa desse meu trampo de estreia, uma parada mais “Rap de verdade” e eu cheguei “olha, mano, a gente sente isso. Vamo cuidar do interno antes de tentar mudar o mundo”. Creio que todo artista cria com mais facilidade quando passa por momentos mais difíceis, a dor traz inspiração pra gente. Eu não quero só falar disso, mas acho muito importante não ignorar, sabe? Não somos super-heróis, e a nossa arte é o nosso escape.


A redação do bkn pergunta a Vinícius ual sua música favorita do álbum e porque, apesar da complexidade da pergunta Vinícius responde:

Se eu dissesse todas não seria exagero haha. Mas eu gosto muito da “SóLição” e de “Manhãs De Segundas”.

SóLição fiz quando mudei de bairro, me vi muito sozinho nessa transição da vida. E nessa desenvolvi afeto pela solidão, vi que não é a solução pra tudo, mas te ensina muita coisa. É só lição!

E em Manhãs De Segunda eu falo de amor, e de uma forma bem mais madura. Acho que não poderia terminar o disco de uma forma melhor, essa faixa termina um ciclo e abre outro horizonte. E também me levou ao público diferente do que eu tava habituado, tocou os corações.


Ao ser perguntado de onde surgiu a ideia da marca e dos produtos produzidos pelo selo Luneta Lab, o Mc afirma:

Na real, a ideia de marca já era antiga, quis fazer na época que lancei o disco, mas acabou não rolando. Eu já tinha tudo organizado, só restava executar mesmo. Aí veio a pandemia e foi a soma da vontade com a necessidade, sempre busquei autonomia financeira no meu trampo. Perdi algumas fontes de renda durante a pandemia e a iniciativa da marca foi uma alternativa pra gerar recursos, além de fomentar a minha arte, pensando em outros mercados também. A gente pretende expandir como uma marca de roupa mesmo, projetar coleções, pensar em desfiles; migrar pra esse nicho da moda. Eu gosto muito desse mundo.

O selo é a materialização disso, saca? Nasceu da carência de organização profissional. Luneta Lab cuida da parte mais burocrática da minha carreira; da distribuição das músicas, registros e etc; se tornou minha acessória e a loja (virtual) onde vendo as peças da minha marca. É um desafio gigante conciliar tudo isso, e eu quero ter estrutura para fazer o mesmo com outros artistas, no futuro.

Sobre as melhores e as piores partes viver como artista em Manaus, Vinícius responde:

É uma espada de dois gumes, saca? A gente respirar um ar diferente, como artista, bebe de uma fonte única, mas ao mesmo tempo existe uma barreira que te isola de uma certa visibilidade. Isso é social! A nossa cultura é linda e singular! Mas infelizmente, gente ainda carrega o estereótipo de que só existe mata por aqui. É uma parada que exala muito a ignorância. O acesso é primordial pra geral fluxo, as portas do cenário nacional sempre pareceram fechadas. E por conta disso, ser artista traz um peso redobrado. Sinto muito a ausência de um mercado sustentável, de pessoas que consumem o que é produzido aqui de fato. “Arte” e “mercado” na cidade ainda me soa como universos distante, mas muita coisa tem rolado, acredito muito que estamos dando passos pra mudar isso.

Sobre os preconceitos sofridos em geral e por conta de seu estilo musical, o rapper é categórico:

Infelizmente, ainda existem pessoas que julgam o movimento Hip-Hop como algo completamente marginalizado. Eles não estão habituados a verem a gente com um livro na mão, eles esperam uma arma. Querem me ver em “Silkeira’s Jr” da vida, não sendo noticiado como artista. Às vezes assusta, mas ‘tamo’ pra tentar reverter!

Ainda sobre as diferenças de tratamento, mas por ser artista negro, Vinícius conta:

As mídias convencionais poucas vezes abriram espaço pra gente como eu. Eu sou preto, Mc/Rapper... isso são adereços que mantêm a gente quase invisível. E a gente compõe uma cena completamente alternativa. Ser artista por aqui já é difícil, imagina pra quem é vítima de uma parada estrutural. Como eu disse, por ser artista o peso redobra.

Finalizamos a conversa fazendo a típica pergunta da bkn para fechar a entrevista, pedimos que o Rapper Vinícius Abílio nós conte sobre seus planos para o futuro

Eu pretendo desenvolver o que comecei neste ano. Produzi muita coisa nesse isolamento e quero finalizar grande parte do que foi feito. Quero fazer mais shows, vou me inclinar pra isso em 2021. Quero investir no selo também, na marca. 2020 brecou os planos de todo mundo, né? Espero que o próximo ano a gente recupere.

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