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  • Paula Oliveira

Entrevista com Karen Francis



Karen Francis, 20 anos, é artista natural do município de Maués/AM, mas cresceu em Manaus, cidade capital do Amazonas. A cantora, compositora e instrumentista se relaciona com a música desde sua infância e parte de seu processo de musicalização foi influenciado pela musicalidade africana de sua mãe, que é natural de Moçambique, país que também fala a língua portuguesa e também por seu pai, que já foi músico e cantor em grupos de pagode. Karen aprendeu a tocar violão aos 09 anos de idade, mas foi aos 11, quando se mudou para Nova Olinda do Norte, município do interior do Amazonas, que começou a se apresentar em igrejas, escolas e eventos da cidade. E aos 13 anos começou a compor suas primeiras músicas. Em 2017, voltou para Manaus com sua família, ingressando na Universidade Federal do Amazonas, onde cursa Licenciatura Plena em Música. Assim, Karen Francis se apresenta ao iniciar nossa conversa.

Falo sobre seu estilo musical ser bem marcante por ser mais calmo, romântico e pergunto: Sempre foi uma preferência tua esse estilo musical, quais suas inspirações que te levaram a forma que tu faz música hoje?

Então, eu gosto dessa parada tranquila que eu faço, mas eu também gosto muito e me alimento de sonoridades mais ritmadas como o rap. Eu acho que a explicação pra maior parte de minhas composições terem uma característica mais calma é a criação acompanhada do violão. Eu gosto da junção do violão com a voz, essa parada mais introspectiva. Mas, no meu próximo trampo, inclusive, to chegando com um som mais pra frente.

Sobre ser artista em Manaus, Karen afirma:

Cara, no meu dia a dia a pior parte tem a ver com logística e condição de trabalho. nessa pandemia, ficou mais que explícito o descaso à classe artística e sua qualidade de vida a nível nacional, o que abrange a capital amazonense também. a melhor parte é viver nesse mundo cão é saber que posso me esvaziar através da arte, e em outro momento me encher dela de novo e assim seguir vivendo, é mais que válvula de escape.

Dado o atual cenário artístico em Manaus, no qual se é muito difícil de ter reconhecimento nacional, decido indagar a Karen: se pudesse escolher, iria preferir fazer a cena artística de Manaus ser mais reconhecida ou crescer individualmente a nível nacional?

Os dois, é importante e muito interessante fazer artistas manauaras e todo esse movimento que fazemos ser conhecido pelo resto do Brasil, assim como seria ótimo ver meu trampo crescendo também, eu acho que é bacana pensar na ideia do nosso crescimento e no crescimento dos e das nossas.



Em seu EP, Acontecer, Karen tem como single, a música intitulada do mesmo nome. Musica que apresenta bem o EP, calma e romântica, mas também marcante em sua letra. Fazendo jus ao sorriso calmo e o jeito de cantar de Karen que transpassa tantas emoções. Sobre o single, pergunto: Houve alguma inspiração em especial para essa composição?

Sim, eu falo de relacionamento amoroso nele, e assim como nas outras músicas do EP, eu toco no ponto da despedida, só que além disso, tem uma lavação de roupa suja também (hahaha) é isso que faz a malandra chorar.

Pegando o gancho do assunto do single, peço que Karen explique como funciona o processo de criação do suas músicas?

Quase sempre escrevo letra, melodia e harmonia ao mesmo tempo, mas ultimamente tenho exercitado os processos separados também. Meu processo envolve a inspiração do dia a dia, um desabafo, uma opinião que eu acho importante, relatos de vida de outras pessoas, mas esse processo também acontece por meio do ato de sentar pra escrever técnica e objetivamente, é a parte mais trabalhosa

Como mulher negra, você sente diferente no tratamento pra artistas brancos na cena manauara?

A diferença de realidades e vivências nos ataca em diversos sentidos e lugares, e a "cena manauara" com certeza não se livra dessa culpa justamente por ser composta por pessoas, por sistemas e suas mazelas. E complementa dizendo: ser mulher negra no meio musical de Manaus é igual ser mulher negra em todo canto do Brasil, um fardo subentendido, mas vezes escrachado também.

Pergunto se ela pensa que deveriam acontecer mais festas Black em nossa região, e Karen afirma:

Com certeza, e acredito que várias coisas estão sendo feitas por e para pessoas "blacks", só precisamos sacar aonde...





Em 2018, a artista lançou o EP intitulado “Acontecer” que foi produzido na cidade de Blumenau/SC. O trabalho totalmente autoral que vai do MPB ao POP foi gravado em uma semana e é composto por cinco faixas que falam sobre dramas amorosos, desejo de libertar a si e liberar o outro. E Karen também tem vários vídeos em seu canal no youtube cantando músicas autorais além das que estão no EP, pergunto: Quais os seus planos para o futuro?

Virar uma diva do R&B o que é complementado pelo fato de que Karen vem trabalhando em um novo álbum com mais foco neste ritmo. Atualmente Karen se encontra no processo de composição e pré-produção de seu novo trabalho, um álbum com dez músicas que mescla os estilos Afrobeat, R&B e Rap.



Siga Karen em suas redes para acompanhar o seu trabalho:

Instagram: https://www.instagram.com/karenfrancismusic/

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCzvAwCPJKSKF3IX1cQx2Zwg


Spotify: https://open.spotify.com/artist/6aXHEtswFvSFtstG4jTsEU?si=H96tsIC5TOuEFYDmTgdrJQ

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