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  • Maria Moura

Entrevista com grafiteiro Adonay Garcia


Quem é Adonay Garcia? Atuante do segmento de arte urbana, tatuador, natural de Manaus, casado e pai de uma menina, o artista plástico de 35 anos bateu um papo com o Blackout Norte e falou mais sobre suas obras e experiência como artista na região Norte.


Utilizado como forma de protesto, os primeiros grafites ganharam destaque nas obras de Alex Vallauri que aplicou a arte como forma de expressão política contra a censura e a ditadura no Brasil dos anos 70. Hoje, os grafites enfeitam a cidade e se afirmam como expressão de crítica e cultura do povo. Segundo Adonay, a expressão ainda sofre preconceito mas conquista espaço e visibilidade na cidade “A arte urbana hoje está em instituições, órgãos públicos e privados. Está adentrando esses espaços, quebrando barreiras e abrindo portas, mas ainda há muito a se conquistar”.


As obras do artista plástico utilizam desde o contato com a natureza, os lugares, sua bike e a sensação de liberdade que ela lhe proporciona, como inspiração de suas obras. A música, as lembranças, as reflexões também têm lugar nos grafites, além da maior inspiração, sua mãe. “Desde o início ela sempre me deu apoio e incentivo, maravilhosa! Minha rainha! ”. Além de suas vivencias do dia-a-dia, algumas obras também marcaram Adonay com seus desafios, uma delas foi a pintura feita na Avenida das Torres a convite do artista e curador Amazon Soares. “Foi um desafio e tanto devido aos tamanhos, nunca tinha pintado paredes tão grandes, um deles (no Nova Cidade) é especial, porque foi uma homenagem a minha mãe que perdi há 5 anos”.


Crescente nos espaços urbanos da cidade, o graffiti transforma seu cenário aos poucos na disputa por lugares em exposições. Adonay afirma que o fator principal são as demandas. Poucos artistas têm interesse em expor seus trabalhos em galerias, mas esta realidade já está mudando “falta só mais um pouco de envolvimento” – finaliza. Infelizmente, nem tudo se encaixa em bons momentos. Por vezes, artistas passam por situações ruins como pouco reconhecimento de seu trabalho.


“A parte boa é você está trabalhando com o que você gosta e saber que, de alguma forma, a sua arte vai está levando uma energia boa para as pessoas que ali tem contato. A parte ruim é a questão de valores, tinta spray é caro no Brasil, ou seja, fazer graffiti é caro. Já passei por uma situação onde a cliente queria me pagar com material e divulgação, muitas pessoas ainda não entendem que é meu trabalho e pago as minhas contas com o suor dele. Claro que dependendo da situação a gente tenta ser flexível. ”


Outro problema que permeia o cenário artístico é o preconceito. Adonay afirma que ele (preconceito) está ali diariamente, geralmente disfarçado, mas real. Durante o bate-papo, Adonay falou mais sobre a diferença no tratamento do artista negro no cenário atual. “Falo por mim a quem discorde. Eu tento me apresentar da melhor forma as pessoas que querem o meu trabalho. É aquele ditado que "a primeira impressão é a que fica” (falo em relação mim e ao cliente). Até então nunca deixei de ser contrato por ser negro índio. Nunca fui destratado ou mau tratado, mas óbvio que já sofri preconceito, e sofro, em outras situações”.


Com um cenário crescente, o meio artístico de Manaus também é espaço de divulgação de artistas de diversos segmentos. “Negros, índios e a classe LGBTQI+, recentemente tiveram exposições na galeria do Largo, com artistas de vários segmentos” – afirma. Sobre os planos para o futuro, Adonay foi certeiro ao dizer “Pintar muito!!! Bom, eu estava me programando para uma exposição solo esse ano, já não sei mas se ela sai. Sobre meu envolvimento com a tattoo, estou seguindo com os planos, ter meu próprio estúdio privado. ”


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