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  • Paula Oliveira

Entrevista com Gean Melo





Gean se descreve como um compositor amazonense que em suas músicas, busca refletir sobre suas vivencias no interior do estado, onde nasceu, e na capital para onde veio cursar Filosofia na UFAM. Aproveitando o ensejo do assunto de sua graduação, pergunto se esta tem alguma influência em suas composições, questão a qual ele responde afirmativamente, dizendo que a Filosofia pode contribuir para qualquer atividade criativa afinal, são atividades que necessitam do pensamento e da reflexão. Apesar de ter muitas músicas de forte crítica social, ele lembra também que tem composições sobre amor e outros aspectos da vida que também julga temas importantes a serem cantados.

“Ser preto em Manaus já é um grande problema, porque quando morre preto no Rio, em São Paulo sai na imprensa. Aqui não sai, só sai quando preto mata”. Gean inicia sua fala sobre como é ser um artista preto em Manaus, já deixando claro que as dificuldades de ser homem negro em Manaus antecedem as dificuldades artísticas. Dificuldades como ser tratado de forma diferente e ter medo em situações que são normais para pessoas brancas, ser confundido com um ladrão, entre outras causadas pelo racismo. Sobre especificamente ser artista preto em Manaus, ele afirma “Você entra nesses barzinhos que pagam bem os artistas, e geralmente são brancos que tão tocando lá”. Apesar disso, Gean destaca que, lugares mais alternativos tem uma maior aceitação por artistas negros, entretanto, ainda existem poucos lugares assim.

Para ele, a melhor parte de ser artista em Manaus é o estado do Amazonas, já que é um lugar ainda muito inexplorado e atingido. E acrescenta que, para quem vê pertinência em falar de desigualdades como ele, essas problemáticas são uma experiência constante “... para um artista que tem sensibilidade nessa direção, de falar sobre o caos, de falar sobre a podridão que certa parte da sociedade se torna, por causa de uma outra parte, que transforma o resto em quintal para jogar lixo [...] Então é um prato cheio”. O lado ruim de ser artista na cidade é uma dificuldade apontada por muitos: o fato de não ganhar dinheiro com sua arte. O que atrapalha a produção desses artistas é a necessidade ter outra atividade para se sustentar. Gean afirma que não há nenhuma valorização do artista, mas sim, a venda da imagem de alguns.





Ao falar de suas inspirações, Gean diz que as maiores não são no campo da música, mas sim de escritores e escritoras e no modo de agir, pensar e viver de pessoas comuns do dia-a-dia. Ele afirma pensar a partir da vida, e fala sobre ter influências de algumas teorias. “Elas (teorias) entram como nós dessa teia que nasce da vida”.

Pedi para que ele escolhesse uma música sua para indicar para alguém que não conheça ainda seu trabalho, ele indicou Pés de Barro . Gean justifica dizendo que é uma música que “sempre quis fazer, mesmo não sabendo” , e afirma ser uma música que ele considera fantástica, deixando claro que não faz questão de ser modesto com seu trabalho: O personagem seu Zé, também apresentado em outras músicas de Gean, é um retrato de alguém que ele vê necessidade de dar voz, uma pessoa que sofre com a desigualdade, um homem amazonense que sofre com todas as mazelas do país “O seu Zé é a principal voz que precisa ser ouvida”.

Para finalizar a conversa, relembro que Gean tem muitas músicas autorais em seu repertório, ainda não lançado oficialmente. Ele revela que está organizando um EP, que provavelmente terá 6 músicas, por ter poucos recursos. Gean adiciona que “eu quero que tenha muito aspecto regional, muito tambor [...] enfim, eu quero flauta, eu quero coisa indígena. Eu quero que a sonoridade lembre a mata”. O artista também fala sobre um clipe que irá sair de sua música Bixo Papão da Favela, que será lançado em breve.

Durante a entrevista Gean relembrou suas dificuldades de baixar músicas dos artistas que gostava quando morava em Tapauá, onde nasceu, e diz que começou a fazer música para ele ouvir e fazer músicas que ele tinha vontade de ouvir. Gean é artista preto nascido no interior do Amazonas, e reflete muito bem as vivências de muitos Amazonenses em suas letras.

Siga Gean em suas redes sociais e acompanhe seu trabalho:

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