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Entrevista com Dj Carol Amaral


Carol Amaral é uma mulher PRETA que ri, chora, sonha, fala pelos cotovelos, ama discotecar. Carol disse que "mulheres negras vivenciam de tudo: assédio, racismo e misoginia". Ela que começou tocando em festas da cena LGBTQ+ e hoje, além de já ter tocado em grandes eventos como Passo a Paço entre outros, faz questão de produzir os seus.


"Ser mulher negra em qualquer contexto é estar na base da pirâmide. A gente tem que competir com homens brancos, mulheres brancas e homens negros por um espaço no mercado".


Sobre a questão de como é a cena local, Carol destacou que em Manaus é difícil se fazer ser ouvido, "as pessoas parecem ter medo do novo, falam de festas alternativas como se fosse algo pejorativo, não frequentam determinados roles por causa do público, rola muito preconceito". Uma dificuldade que a frustra e move ao mesmo tempo é provar para essa galera que é possível fazer algo diferente e inclusivo. Em relação às suas inspirações, deixou sua admiração por artistas locais como: Karen Francis, Ian Lecter, Beatriz Procópio, entre outros.


Acabei lembrando de uma pergunta que todo mundo quer fazer para um Dj: Como você cria sua playlist? E Carol deu a resposta que resume a de muitos:


"Eu gosto de pensar que meus sets são orgânicos. Isso é um jeito chique de falar que eu não me planejo muito, Eu geralmente decido quais estilos musicais quero tocar, daí faço uma pesquisa, dependendo do set eu faço uma imersão musical mesmo, baixo várias tracks e vou testando algumas combinações e transições. Mas o teste pra valer é na pista, lá que rola o feeling".



Uma pergunta que não poderia faltar era sobre os shows, quando perguntei a ela se já tinha sofrido algum tipo de preconceito ao ir tocar em um show, a mesma disse já ter sofrido: "O mais comum é ser barrada em backstage de show ou em entrada de balada, mesmo me identificando". O que acontece com muitos artistas negros em nossa cidade e em todo o Brasil, chamando a atenção para a desvalorização de artistas negros comparado a não negros. "Se a gente for comparar os valores de ingressos/cachês de artistas brancos e artistas negros, por exemplo, a diferença é absurda". No entanto, ela, assim como eu, acredita que estamos conquistando mais espaço e visibilidade e que aos poucos vamos conseguir virar esse jogo.


Quando o assunto é festas Black nossa Manaus realmente falha muito, no entanto Carol tem o Baile da Nega, que é voltada para black music e também disse ser curioso como muita gente associa a musicalidade negra só ao hip hop, rap e funk.


"A gente tem TANTA coisa foda pra explorar o jazz, soul, blues, disco, house entre outros estilos, precisamos difundir a música e os artistas negros na nossa terra, infelizmente existe diferença no tratamento de um artista negro no cenário atual da música em Manaus. Isso é fruto de uma cultura racista e classista, que marginaliza a população negra e tudo que é associado a ela".


Quais os planos para o futuro de Carol Amaral?


"São tantos, mas a prioridade é sair viva dessa pandemia. Quero continuar produzindo a Pimenta com Sal, o Baile da Nega, o Samba no Curupira. Quero viajar e conhecer novos artistas, novos roles, visitar meus amigos que estão trampando fora. Quero explorar o cenário de música eletrônica com a galera da ARHE. Viver de música, resumidamente."


Sigam e apoiem: Dj Carol Amaral


Instagram: https://www.instagram.com/carolizitah/


Twitter: https://twitter.com/carolizaaando


Eventos: https://www.instagram.com/festapimentacomsal/

https://www.instagram.com/bailedanega/



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